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Goiânia,25/02/2026

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Após cortes na ciência, Brasil perdeu patente de substância ligada à recuperação de tetraplégicos, conta a pesquisadora

Tecnologia desenvolvida ao longo de duas décadas na UFRJ deixou de ter proteção internacional após interrupção no pagamento de taxas, abrindo espaço para uso da inovação por outros países.


Após cortes na ciência, Brasil perdeu patente de substância ligada à recuperação de tetraplégicos, conta a pesquisadora Foto: Reprodução

A pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirmou que o Brasil perdeu a patente internacional da polilaminina uma tecnologia com potencial terapêutico desenvolvida ao longo de mais de duas décadas em consequência dos cortes orçamentários que atingiram a universidade entre 2015 e 2016.


Segundo a cientista, o pedido de patente foi protocolado em 2007, quando a pesquisa ainda estava em estágio inicial, mas já apresentava indícios de que poderia se transformar em um medicamento. “Fizemos o pedido quando ainda estávamos muito longe de testar em humanos, bem no começo do projeto”, explicou.


A concessão da patente, no entanto, só ocorreu 18 anos depois, em 2025. Como o prazo de validade é de 20 anos a partir do depósito, o tempo se tornou um fator decisivo. “A patente só dura 20 anos”, ressaltou Tatiana, destacando o impacto da demora no processo.


De acordo com a pesquisadora, o grupo seguiu todos os trâmites legais, registrando inicialmente a patente nacional e, em seguida, a internacional. O problema surgiu quando a UFRJ deixou de pagar as taxas necessárias para manter o registro fora do país. “Houve cortes severos de recursos, especialmente em 2015 e 2016, e não havia verba para manter as patentes internacionais. Os pagamentos foram interrompidos”, afirmou.


Com isso, o Brasil perdeu de forma definitiva os direitos internacionais sobre a tecnologia. “Quando para de pagar, não há possibilidade de recuperar. Não se pode reapresentar. Outros países podem utilizar livremente”, explicou. A patente nacional só foi mantida porque a própria pesquisadora arcou temporariamente com os custos. “Eu paguei do meu bolso durante um ano para não perder o registro no Brasil”, relatou.


Para Tatiana Sampaio, o caso ilustra como decisões orçamentárias têm efeitos estruturais e duradouros sobre a ciência brasileira. “Esses cortes têm consequências concretas. Poderíamos ter a patente internacional sob controle do Brasil”, lamentou.


Ao comentar o contexto político do período, a pesquisadora associou a perda da patente aos cortes realizados durante o governo Michel Temer. Segundo ela, as medidas comprometeram a sustentabilidade da produção científica nacional.


Resultado de mais de 20 anos de pesquisa, a polilaminina é considerada uma das descobertas brasileiras mais promissoras na área biomédica, com potencial aplicação na recuperação de pacientes com lesões graves, como casos de tetraplegia. A perda da patente internacional significa que o país deixa de ter controle estratégico e possível retorno econômico sobre uma tecnologia desenvolvida com recursos públicos e capital intelectual nacional.




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