Seja bem-vindo
Goiânia,16/08/2026

  • A +
  • A -
Publicidade

Por que muitas mulheres permanecem em relacionamentos abusivos? Psicóloga Simonara Sardinha explica a complexidade da violência doméstica

Medo, dependência financeira, violência psicológica e falta de uma rede de apoio estão entre os principais fatores que dificultam o rompimento de uma relação marcada por agressões

Simonara Sardinha
Por que muitas mulheres permanecem em relacionamentos abusivos? Psicóloga Simonara Sardinha explica a complexidade da violência doméstica




"Se ela sofre tanto, por que simplesmente não vai embora?"


Essa é uma das perguntas mais frequentes quando o assunto é violência doméstica. Apesar de parecer simples para quem observa a situação de fora, especialistas afirmam que essa visão ignora a complexidade emocional, psicológica, social e econômica vivida por milhares de mulheres.


Segundo a psicóloga Simonara Sardinha, permanecer em um relacionamento abusivo raramente é uma escolha consciente. Na maioria das vezes, trata-se do resultado de um ciclo de violência que compromete a autonomia da vítima e dificulta sua capacidade de romper a relação.



"É muito comum que as pessoas julguem a vítima sem compreender tudo o que existe por trás daquela permanência. A violência não acontece apenas quando há uma agressão física. Ela vai destruindo, aos poucos, a autoestima, a segurança e a capacidade da mulher acreditar que consegue sair daquela situação", explica Simonara.



Violência vai muito além da agressão física


A violência doméstica não começa com um tapa nem termina quando a agressão acaba.


Ela costuma seguir um ciclo marcado por episódios de tensão, agressões, pedidos de perdão, promessas de mudança e momentos de aparente tranquilidade. Esse processo faz com que muitas vítimas mantenham a esperança de que o agressor irá mudar.


Além da violência física, o agressor frequentemente utiliza outras formas de controle, como ameaças, humilhações, manipulação emocional, isolamento da família e dos amigos, chantagens e violência psicológica.



"A violência psicológica costuma ser silenciosa, mas extremamente devastadora. Ela faz com que a mulher deixe de confiar em si mesma e passe a acreditar que não conseguirá viver sem aquele relacionamento", destaca a psicóloga.



O medo impede muitas mulheres de sair


Entre os principais fatores que mantêm uma mulher em um relacionamento abusivo está o medo.


Muitas vítimas temem ser assassinadas, sofrer novas agressões ou colocar os filhos em risco. Há ainda o receio de perseguições, ameaças e represálias após o término da relação.


Segundo Simonara Sardinha, o momento da separação costuma ser um dos mais perigosos.



"Muitas mulheres sabem que sair daquele relacionamento pode desencadear uma reação ainda mais violenta do agressor. Por isso, elas precisam de proteção e planejamento para romper esse ciclo com segurança."



Dependência financeira aumenta a vulnerabilidade


Outro fator importante é a dependência econômica.


Muitas mulheres interrompem a carreira profissional para cuidar da casa e dos filhos ou dependem exclusivamente da renda do companheiro.


Sem recursos financeiros, moradia ou apoio familiar, muitas acreditam que não conseguirão reconstruir a própria vida.



"Quando a mulher não possui independência financeira, ela pode enxergar o relacionamento abusivo como a única forma de garantir a sobrevivência dela e dos filhos. Isso aumenta a sensação de aprisionamento", explica Simonara.



A violência psicológica destrói a autoestima


Com o passar do tempo, a violência emocional provoca profundas consequências.


Insultos constantes, humilhações, controle excessivo e manipulações fazem com que muitas mulheres passem a acreditar que são culpadas pelas agressões ou que não encontrarão alguém melhor.


Também é comum que desenvolvam sentimentos de vergonha, culpa e incapacidade.



"O agressor faz a vítima acreditar que ela não vale nada, que ninguém irá amá-la e que ela é responsável pelos conflitos. Esse processo destrói sua autoestima e reduz sua capacidade de tomar decisões."



O amor pode coexistir com a violência


Outro aspecto que costuma gerar incompreensão é o vínculo afetivo.


Mesmo sofrendo violência, muitas mulheres continuam amando o parceiro ou guardando lembranças dos momentos felizes vividos durante o relacionamento.


Para Simonara Sardinha, isso não significa que a vítima aceite a violência.



"Amar alguém não impede que essa pessoa também cause sofrimento. Os sentimentos humanos são complexos. A mulher pode amar, sentir saudade, lembrar dos bons momentos e, ao mesmo tempo, estar vivendo uma situação extremamente violenta."



A pergunta que precisa mudar


Para a psicóloga, a sociedade precisa substituir o julgamento pelo acolhimento.


Em vez de perguntar:


"Por que ela não vai embora?"


É mais importante perguntar:


"O que essa mulher precisa para conseguir sair dessa situação com segurança?"


A resposta envolve proteção, apoio psicológico, orientação jurídica, independência financeira e uma rede de acolhimento capaz de oferecer suporte durante todo o processo.


O acolhimento salva vidas


Simonara Sardinha ressalta que romper um relacionamento abusivo é um processo, e não um único ato.


Cada mulher possui sua própria história, seu tempo e seus desafios.



"Acolher sem julgar é uma das formas mais importantes de ajudar uma vítima de violência. Quando fortalecemos sua autonomia, mostramos que ela não está sozinha e oferecemos uma rede de apoio, aumentamos significativamente as chances de que ela consiga romper esse ciclo e reconstruir sua vida."



Para a especialista, combater a violência doméstica exige informação, empatia e responsabilidade coletiva.


"Mais do que cobrar uma decisão da vítima, precisamos criar condições para que ela possa sair dessa relação com segurança, dignidade e esperança de um novo começo", conclui Simonara Sardinha.


Você não está sozinha: saiba onde buscar ajuda


A psicóloga reforça que pedir ajuda é um passo fundamental para romper o ciclo da violência e reconstruir a própria vida.



"Pedir ajuda não é sinal de fraqueza. É um ato de coragem. Nenhuma mulher deve enfrentar a violência sozinha."



Se você ou alguém que conhece está vivendo uma situação de violência doméstica, procure ajuda.


Existem serviços especializados preparados para acolher, orientar e proteger mulheres em situação de violência.


Canais de atendimento:




  • Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher (funcionamento 24 horas), que oferece acolhimento, orientação e encaminhamento para a rede de proteção.


  • Ligue 190 – Em casos de emergência ou risco iminente, acione imediatamente a Polícia Militar.


Você não está sozinha. Pedir ajuda é um ato de coragem, e existe uma rede preparada para acolher, orientar e proteger você. Quanto mais cedo a violência for interrompida, maiores serão as possibilidades de reconstruir uma vida segura, livre e digna.




COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.