‘Estamos diante de um predador sexual’, afirma delegada sobre ginecologista investigado em Goiás
Marcelo Arantes e Silva é alvo de denúncias de pelo menos cinco pacientes em Goiânia e Senador Canedo; CRM-GO suspendeu o registro do médico nesta quinta-feira.
Divulgação/Polícia Civil GOIÂNIA – A delegada Amanda Menuci, responsável pela investigação contra o ginecologista Marcelo Arantes e Silva, descreveu o profissional como um "predador sexual" após o surgimento de novos relatos de abusos cometidos durante consultas. Até o momento, cinco mulheres formalizaram denúncias contra o médico, que atua no mercado há mais de 30 anos.
De acordo com a Polícia Civil, o modus operandi descrito pelas vítimas é semelhante: o médico buscava ganhar a confiança das pacientes com elogios e perguntas íntimas antes de iniciar os abusos físicos.
Relatos de Abuso e Invasão
As investigações apontam que Marcelo realizava procedimentos invasivos sem justificativa médica. "Todas têm um relato semelhante. Ele passava a mão no corpo delas sem consentimento e realizava toques genitais que nada tinham a ver com a consulta", detalhou a delegada.
Entre os casos mais graves relatados à Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam):
Cárcere e Violência: Em um dos episódios, o médico teria dispensado a secretária, trancado a porta do consultório no início da noite e praticado sexo oral em uma paciente.
Assédio na presença de terceiros: Outra vítima relatou ter tido os seios tocados de forma maliciosa mesmo estando acompanhada da filha adolescente, em uma tentativa de se sentir mais segura após um assédio anterior.
As ocorrências foram registradas em uma clínica particular no Setor Campinas, em Goiânia, e também no município de Senador Canedo.
Medidas Judiciais e Suspensão do CRM
Embora a Polícia Civil tenha solicitado a prisão preventiva do ginecologista, a Justiça negou o pedido, impondo, no entanto, medidas cautelares rigorosas. Marcelo Arantes está proibido de se aproximar ou manter qualquer tipo de comunicação com as denunciantes e não pode deixar o município de residência.
No final da manhã desta quinta-feira (16/04), o Conselho Regional de Medicina de Goiás (CRM-GO) oficializou a suspensão do direito de Marcelo exercer a profissão.
Enquadramento Legal
Mesmo com as vítimas sendo maiores de idade, a delegada informou que o médico responderá por estupro de vulnerável. A tese jurídica sustenta que, no momento dos ataques e devido à natureza do atendimento médico, as vítimas estavam impossibilitadas de oferecer resistência ou se defender.
A polícia acredita que a divulgação do caso encorajará outras mulheres, que possam ter sido vítimas ao longo das três décadas de atuação do médico, a procurarem as autoridades.
Canais de Denúncia
Se você foi vítima ou conhece alguém que sofreu abusos, procure a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) ou ligue para o Disque 197.




COMENTÁRIOS