HMAP Realiza Primeira Artroscopia de Quadril na Rede Pública de Goiás
Procedimento minimamente invasivo marca avanço na saúde pública, com recuperação rápida e menor tempo de internação.
Iris Rezende Machado (HMAP) HMAP realiza primeira artroscopia de quadril da rede pública de Goiás
Procedimento minimamente invasivo possibilita menor tempo de internação e recuperação mais rápida
Goiânia, 05 de agosto de 2024 - O Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia – Iris Rezende Machado (HMAP), unidade administrada pelo Hospital Israelita Albert Einstein, realizou, no último mês, a primeira artroscopia de quadril da rede pública de Goiás. O procedimento minimamente invasivo representa uma alternativa mais custo-efetiva em comparação ao tratamento convencional para o tratamento de condições que acometem o quadril.
Realizado por vídeo, o procedimento permite que o paciente se recupere mais rápido e fique menos tempo internado, além de reduzir o risco de complicações pós-cirúrgicas. A cirurgia normalmente é indicada para pacientes adultos jovens (até 40 anos) diagnosticados com impacto femoroacetabular, uma condição que ocorre quando existe um contato anormal e desgaste entre a cabeça do fêmur e o encaixe da articulação do quadril, provocando limitação da mobilidade e dor no quadril, além do risco de evolução para uma artrose.
O ortopedista Gabriel Silva, especialista em cirurgia do quadril do HMAP, foi quem conduziu, junto a outros dois médicos, o primeiro procedimento do tipo na unidade. Ele explica que uma vez que o paciente recebe o diagnóstico de artrose, não há possibilidade de cura e a cirurgia indicada seria a colocação de prótese no quadril. "A gente faz a artroscopia no intuito de aliviar a dor do paciente e, principalmente, retardar a evolução para a artrose", esclarece o médico. A técnica é contraindicada para pacientes idosos e que já apresentam desgaste avançado ou lesão na cartilagem do quadril. Também não é indicada para pacientes com alguma infecção.
Para Gabriel, o maior ganho da técnica é a recuperação rápida. "Normalmente, o paciente recebe alta em menos de 24 horas após a cirurgia. Se não fosse por vídeo, com incisões maiores, sentiria mais dor, por causa do corte, e ficaria de 2 a 3 dias no hospital", explica. Outros três pacientes devem realizar o mesmo procedimento neste mês.
O coordenador do departamento de cirurgia do HMAP, Leandro Flores, comemora a realização de um procedimento desse nível na rede pública. "É uma cirurgia moderna que requer um nível de formação elevado, com grande habilidade técnica e tecnologia de ponta, com grande benefício para os pacientes. Além disso, existem poucos cirurgiões que o fazem. E o HMAP tem essa capacidade técnica", enfatiza Leandro. Ele ainda lembra que desde que o Einstein assumiu a gestão do HMAP, o número de cirurgias aumentou consideravelmente: em 2022 foram 2.147, e em 2023 esse número saltou para 7.506, um aumento de 250%. Só em junho deste ano foram 651 cirurgias.

Novidade também no tratamento contra o câncer
Outra cirurgia realizada pela primeira vez no HMAP, dessa vez na área da coloproctologia proporcionou para uma paciente de 71 anos o tratamento mais eficaz para seu problema de saúde: a proctocolectomia total, ou seja, a retirada completa de todo intestino grosso e reto, foi indicada diante do diagnóstico de polipose adenomatosa familiar, uma doença hereditária que causa da formação de pólipos intestinais e pode evoluir para câncer.
A equipe responsável pela operação foi composta por sete mulheres, sendo cinco médicas, uma técnica em enfermagem e uma enfermeira, o que também trouxe orgulho para a coloproctologista Patrícia Romero Prete. "Essa é considerada a maior cirurgia da especialidade, um procedimento desafiador e, por isso, foi necessário contar com um time de peso. E é um orgulho que tenha sido todo formado por profissionais mulheres", conta.
A cirurgia ainda conta uma bolsa em formato da letra J ligando o intestino delgado ao ânus, além de uma bolsa de ileostomia chamada de protetora e temporária, que coleta fezes fora do corpo. Entre 5 e 7 dias de pós-operatório, o paciente recebe alta. A vida do paciente com ileostomia é normal, na maioria dos casos, podendo participar de atividades que já fazia antes da cirurgia, como esportes, viagens e trabalho. É necessário, porém, cuidado com a troca da bolsa, feita em torno de 3 a 4 vezes por semana.
A higienização é feita em casa e o SUS fornece o material. No HMAP, o paciente ainda conta com a ajuda de uma enfermeira estomoterapeuta, especializada para auxiliar nesses cuidados. De três a seis meses depois acontece a cicatrização da primeira bolsa e a ileostomia é fechada.
A polipose adenomatosa familiar é assintomática. Geralmente, quando começam a aparecer manifestações como dor e inchaço abdominal, pode haver um indicativo de que já evoluiu para o câncer, o que pode acontecer, inclusive, em adultos jovens. A médica Patrícia Romero enfatiza que a prevenção, principalmente em quem já apresenta um histórico familiar, é indispensável. "Para pacientes sem casos na família, os exames devem começar a ser feitos, com orientação médica, a partir dos 45 anos", reforça.
Sobre o HMAP
O Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia – Iris Rezende Machado (HMAP) foi inaugurado em dezembro de 2018 e é o maior hospital do Estado feito por uma prefeitura. Administrado pelo Einstein desde junho de 2022, foi construído numa área superior a 17 mil metros quadrados, onde atua com mais de 1.100 colaboradores para o atendimento de casos de alta complexidade, incluindo hemodinâmica e cirurgia bariátrica, além de várias especialidades cirúrgicas e diagnósticas. A estrutura contempla 10 salas de cirurgia e 235 leitos operacionais, sendo 10 de UTI pediátrica, 39 de UTI adulto, 31 de enfermaria pediátrica, e 155 leitos de clínica médica/cirúrgica.
Trata-se da primeira operação de hospital público feita pelo Einstein fora da cidade de São Paulo. Nos primeiros seis meses de gestão, as filas de UTI da unidade foram reduzidas consideravelmente e a capacidade de atendimento dos leitos, dobrada. Já as longas filas de espera para cirurgias eletivas foram diminuídas em menos de um ano, feito alcançado graças a iniciativas como mutirões cirúrgicos, que priorizaram demandas urgentes. O tempo de permanência dos pacientes no hospital também foi reduzido de 9,5 para 5 dias. Em relação à mortalidade, em junho de 2022 a taxa era de 15,33% e, seis meses depois, de 3,6%.




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